Uma Breve Introdução

A Boite 2001 foi inaugurada a 18 de Outubro de 1973 no Autódromo do Estoril por Almeida Araújo. Este importante empresário da vida nocturna nacional já tinha ganho notoriedade com a abertura da discoteca Van Gogo em Cascais do qual foi um dos co-fundadores. Inaugurada em 1964, o Van Gogo foi um marco na animação nocturna da região da Grande Lisboa até ao seu encerramento em 1998.

O projecto do 2001 foi muito arrojado para a época e um investimento considerável. O espaço era originalmente uma casa de folclore e fados oposta ao Restaurante 1900, ambos por baixo da bancada central do Autódromo. Equipado com os melhores equipamentos de som e de luz da altura e uma colecção de vinil importado, o 2001 rapidamente se assumiu como uma referência na noite do país. No início abria todos os dias das 23 às 06h com cozinha em funcionamento. Durante os meses de Julho, Agosto e Setembro abria também para matinés das 17 às 21h.

O espaço é esculpido sob a arquitectura das bancadas que se vão elevando até à sua lateral encerrada por umas enormes janelas que ajudam o calor a dissipar-se nas noites de verão. A cabine de DJ é um púlpito que se interpõe como uma ilha após a entrada, escondendo a pista de dança e a restante nave interior. A pista de dança do 2001 é um lugar mítico dominado por uma enorme bola de espelhos e um jogo de luzes frenético e psicadélico. Mas é o som que faz vibrar quem lá vai sentir a electricidade pura deste templo mágico do rock.

Logo no primeiro ano após a sua abertura, Almeida Araújo cede uma quota do 2001 ao senhor Gil, um funcionário do Van Gogo que foi ganhando a sua confiança e respeito pela  dedicação e eficiência do seu trabalho. O sr. Gil fica responsável pelo controlo da gestão do dia-a-dia e mantém-se como sócio até à sua morte em 1998, quando a sua quota reverte novamente para o fundador da casa.

Musicalmente, a aposta definitiva no rock surge com a entrada do dj Augusto Figueira (Pantera) que foi o dj residente do 2001 no período pós-25 de Abril, uma opção que foi de encontro à apetência do público numa época conturbada e de grandes mudanças a nível da sociedade portuguesa, dominada pelo período pós-revolução e o processo de descolonização que motivou o regresso de milhares de portugueses ao país, muitos dos quais que se vieram a instalar na linha do Estoril.

Cartão 2001 – Anos 70 ou início dos anos 80

Este era um dos cobiçados cartões endereçados ao Sr. Seixas e assinado por Almeida Araújo que permitiam a entrada no 2001 sem pagar à porta.

Os Primeiros 30 Anos

Ao longo dos anos 70 e duas décadas seguintes assistiram-se a autênticas romarias de toda a região de Lisboa, e não só, que lotavam por completo o espaço amplo do 2001. Desta altura, ficaram míticas as 5ª feiras e os Domingos que eram favorecidas pelos rockeiros mais fervorosos, já que as enchentes eram um pouco menores e havia mais espaço para dar azo às grandes guitarradas na pista de dança.

A frequência do 2001 sempre foi extremamente eclética e diversa, reflectindo o grande poder transversal que a música rock tem na nossa sociedade, tanto atraindo clientes de camadas menos favorecidas e bairros periféricos, como meninos ricos das melhores famílias de Lisboa e da linha do Estoril, todos unidos na paixão pelo som e o ambiente eléctrico e único da Catedral do Rock.

Foram muitos os djs que passaram pela cabine do 2001, muito antes do tempo em que estes passaram a ter um estatuto que actualmente os eleva a estrelas veneradas por multidões em transe. Destaque aqui para o já referido e lendário Augusto Figueira (Pantera), mas também Tó Cabeças, Luis Cação, Nuno Cachucho, Pedro Gaguinhas, José Carlos Baptista, Xuxas, Carlos Ferreira - o dj que mais tempo foi residente no 2001, Cláudia Arauz e Zé da Música.

O 2001 foi palco de concertos de rock de algumas das mais importantes bandas nacionais como os Xutos & Pontapés e os Peste & Sida. Foram também um sucesso as 3 colectâneas da Catedral do Rock editadas pela Warner Music em CD duplo e que ainda hoje são acarinhadas por muitos.

Ao longo da sua existência aconteceram episódios hilariantes e curiosos, alguns envolvendo estrelas de rock internacionais que passaram na Catedral do Rock. Para muitos e muitas, a Catedral do Rock é também sinónimo de romance e paixão. São inúmeras as relações que começaram com olhares cruzados na pista do 2001, umas para durarem toda uma vida, outras tão fugazes que se eclipsaram numa só noite.

Ficaram também na história do 2001 algumas rivalidades e picardias entre frequentadores da casa que por vezes resvalavam para a violência. Estes desordeiros eram levados para a rua pelos seguranças de forma rápida e eficaz e sem grandes alaridos, ao contrário de outros lugares de triste fama que nem vale a pena mencionar. Mas cá fora, o parque de estacionamento foi cenário de várias cenas de pancadaria dignas de um filme de acção de Hollywood. No entanto, o nome que mais marcou essas décadas iniciais do 2001 foi sem dúvida o seu porteiro, o incontornável e impassível senhor Seixas, que na sua imensa capacidade de gerir as mais difíceis e complicadas situações, ganhou o respeito de todos os clientes do 2001 e uma reputação ímpar entre os porteiros e seguranças das casas de diversão nocturna.

Flyer Festa Domingo – 7/8/94

Flyer com uma dobra onde o tema do espaço é utilizado na capa e já com um outro logotipo. No verso da capa inclui os detalhes da festa e na página oposta inclui uma listagem de nomes de bandas de rock clássicas, hard rock e new wave que todos os frequentadores do espaço associam imediatamente à Catedral do Rock. Na contracapa inclui a ilustração do guitarrista inspirada numa imagem da capa do álbum Sonic Temple dos The Cult e que veio depois a ser utilizada como logo do 2001 Rock Club.

CDs 2001 Catedral do Rock

Capas das três colectâneas de hits 2001 Catedral do Rock editadas pela Warner Music como CDs duplos em 1998, 1999 e 2003. Estes CDs são, nos dias de hoje, objectos de colecção raros e com bastante procura nos mercados online de venda de discos.

O Período Rock Club

No final dos anos 90, a casa começa a sentir alguma quebra de público, motivada pelo decréscimo de popularidade do rock em detrimento de outros géneros musicais como a música electrónica. 

Em 2003, Almeida Araújo cede a exploração do espaço a um dos elementos da equipa da casa e seu gerente desde o final dos anos 80. O período que se segue é caracterizado por alguma letargia e falta de investimento, nomeadamente na manutenção do espaço e dos equipamentos. Gradualmente, vão surgindo também alguns infelizes conflitos com clientes antigos e valiosos colaboradores da casa.

Longe iam os tempos em que a Paris Match se referia ao 2001 como “o maior fenómeno social na Europa” mas a Catedral do Rock sobrevive graças ao seu nome, ao seu imenso público fiel e à sua invejável reputação de templo máximo para todos os amantes do rock.

Em 2010, falece o fundador e proprietário do 2001. É então que o seu filho Gonçalo Almeida Araújo começa a pensar em retomar as rédeas da Catedral do Rock. Finalmente, no início de Maio de 2017, findo o contrato de exploração em vigor, o 2001 regressa ao controlo da família do seu fundador, e uma nova geração da família Almeida Araújo dá continuidade ao projecto com os olhos postos no futuro.

O Futuro do 2001

A 19 de Maio de 2017, após duas semanas de encerramento, o 2001 reabre as suas portas. Uma equipa renovada que inclui vários elementos que já antes tinham trabalhado na casa, garante uma transição suave e sem percalços aos seus frequentadores. É também iniciado um processo de renovação dos equipamentos de som e o senhor Abílio, o responsável pela manutenção do equipamento de som e luzes desde a fundação do 2001 em 1973, não tem mãos a medir. Com a nova mesa de mistura e leitores de CDs é cumprida uma aspiração já antiga dos djs da casa.

A qualidade das bebidas do bar é melhorado e a oferta diversificada. Antigos djs retornam à casa que tinha sido sua e são recebidos de braços abertos. Parcerias antigas com estações de rádio e promotores de espectáculos e eventos são restabelecidas, e a tradição dos concertos de rock é novamente iniciada. Com um novo logotipo baseado na imagem original do 2001 dos anos 70, é desenvolvida uma presença digna na internet e nas indispensáveis redes sociais.

A disposição do espaço é também alterada com a introdução de um segundo bar e uma zona de lounge na entrada exterior. Novas melhorias estão planeadas para breve e sempre para benefício e conforto dos clientes do 2001, essa família enorme e incrivelmente leal, que merece só o melhor e que faz a Catedral do Rock uma instituição única no panorama nacional.

Juntamente com uma nova dinâmica, são estes os preparativos para a recta final de mais uma década a caminho da celebração dos 50 anos de existência do 2001.

E uma coisa é certa, se há algo que não vai mudar é a qualidade da música rock e do serviço exemplar que a equipa do 2001 proporciona aos seus frequentadores. Basta lá passar um destes fins de semana e na pista, de cerveja na mão, ouvir o rugido impressionante das colunas de som, sentir a potência do bombo e a definição do dedilhar da guitarra do Jimmy Page para qualquer um perceber que esta é mesmo a Catedral do Rock.

Quanto mais Rock… melhor! 2001 SEMPRE!!!!!!